A recente Ordem Executiva de Retirada de 2026 projecta uma sombra de incerteza sobre o ecossistema de desenvolvimento em Moçambique. Na RMBJ Consultoria, a nossa missão é fortalecer e impulsionar o trabalho das Organizações da Sociedade Civil (OSC) para um impacto sustentável, e é sob esta óptica de resiliência institucional que analisamos as consequências da saída dos EUA de organismos internacionais fundamentais.
Para um país onde as OSC desempenham um papel central na prestação de serviços básicos e na defesa de direitos, a retirada americana de entidades como a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas e o IPCC representa uma ameaça directa à continuidade de projectos de adaptação climática comunitária. Sem o suporte financeiro e técnico destas instâncias, as OSC locais que actuam na linha de frente da mitigação de desastres enfrentam um vácuo de recursos que compromete a segurança alimentar e a subsistência de milhares de famílias moçambicanas, historicamente vulneráveis a choques ambientais.
O impacto estende-se de forma crítica à saúde e aos direitos fundamentais. A cessação das contribuições americanas para o Fundo de População das Nações Unidas e para o Escritório do Representante Especial para Crianças em Conflitos Armados atinge o coração das intervenções sociais em Moçambique. Como especialistas em Mudança de Comportamento Social e Direitos Humanos, a RMBJ reconhece que as OSC focadas em saúde reprodutiva e na protecção de crianças em zonas de conflito, como Cabo-Delgado, poderão perder não só financiamento, mas também mecanismos de advocacia global.
A saída dos EUA do Fórum Global de Combate ao Terrorismo reduz a pressão internacional e o suporte técnico para programas de desradicalização e reintegração social, tarefas que muitas vezes recaem sobre as organizações locais. Este cenário exige que as OSC moçambicanas elevem os seus padrões de governação e transparência – áreas onde a RMBJ actua activamente – para atrair novas fontes de financiamento e garantir que a protecção dos mais vulneráveis não seja interrompida por mudanças na política externa de terceiros.
Perante esta nova realidade, a sustentabilidade institucional torna-se o imperativo do sector. A retirada dos EUA da UNCTAD e do Centro de Comércio Internacional limita as oportunidades de capacitação para o empreendedorismo social e para a integração de comunidades locais em cadeias de valor. Na RMBJ Consultoria, reafirmamos o nosso compromisso em capacitar as OSC para navegarem nesta transição através da melhoria dos seus sistemas de monitoria, avaliação e gestão financeira.
Acreditamos que o fortalecimento das capacidades internas é a única via para que as organizações moçambicanas deixem de ser dependentes de um único bloco de doadores e passem a liderar o desenvolvimento sustentável com autonomia. O recuo do multilateralismo americano deve ser encarado como um chamado à união e ao reforço do tecido social nacional; a resiliência de Moçambique será medida pela robustez das suas próprias instituições e pela eficácia das parcerias estratégicas que conseguirmos consolidar localmente.
Monitor de Impacto Multilateral
Análise da Retirada dos EUA e Riscos para as OSC em Moçambique
Total de Entidades
66
Organizações e Tratados
Risco Social
CRÍTICO
Áreas de Saúde e Proteção
Agências da ONU
31
Impacto em Cabo Delgado
Foco RMBJ
100%
Fortalecimento de OSC

4 Responses
Excelente trabalho neste dashboard. Está muito claro, objetivo e extremamente oportuno. Impressiona a forma como foi desenvolvido em tempo recorde: o anúncio dos EUA foi bastante recente e, em poucos dias, a vossa equipa conseguiu transformar a informação em um painel tão bem estruturado e acessível.
Parabéns pelo profissionalismo e pela rapidez na entrega.
Muito obrigado caro Herculano pela atenção e encorajamento!
Artigo muito bom. Fornece “insigts” para organizacoes e governos se posicionarem de modo a mitigarem os impactos desta retirada a tempo. Na giria popular diz-se ” quem tem ouvidos que ouca”, neste caso quem tem olhos que leia e tome decisao.
Abracos
As nossas organizações já sofrem por escassez de “quase tudo”. Com a retirada dos EUA (tido como um dos maiores doadores) nestas 66 organizações, urge um investimento à sério no desenvolvimento de competência (até aqui relegado e entregue de forma desestruturada) destas para fazerem frente aos tempos difíceis.