No mais recente episódio do podcast da RMBJ Consultoria, Rogério Marques Júnior conversa com Osvaldo Agostinho, profissional com experiência em organizações nacionais e internacionais, sobre um tema que continua a gerar dúvidas entre jovens e recém-licenciados: como entrar e crescer no sector de desenvolvimento em Moçambique sem depender de favores, mas sim com competências e posicionamento estratégico.
A licenciatura não basta
Uma das mensagens mais fortes da conversa é directa: a licenciatura é apenas o ponto de partida. Na prática, muitos cursos não cobrem as exigências reais do mercado — sobretudo num sector competitivo, onde a adaptação e a aprendizagem contínua fazem parte do trabalho.
“As licenciaturas não nos preparam, nem em 40%, para aquilo que realmente nos espera aqui fora.”
De Administração Pública para Monitoria e Avaliação
Osvaldo formou-se em Administração Pública, mas entrou no sector de desenvolvimento por uma oportunidade que, inicialmente, nem estava no seu radar. Um ponto importante: o processo de selecção incluiu testes práticos com Excel, Word e análise de dados.
O que o ajudou a destacar-se não foi apenas o diploma, mas o investimento que foi fazendo ainda enquanto estudante: cursos, prática constante, contacto com documentos, pesquisa e treino de raciocínio analítico.
O papel decisivo da mentoria
Um aspecto que acelerou a evolução do Osvaldo foi a presença de uma mentora no seu primeiro projecto. Essa orientação fez diferença na transição para o terreno, onde conceitos como indicadores, matrizes, frameworks e rotinas de monitoria exigem rapidez de aprendizagem.
Mas nem todos têm esse apoio interno. Por isso, o episódio reforça uma ideia prática: quando não há mentoria, o profissional precisa procurar formação fora — cursos, workshops, leitura, redes profissionais e orientação especializada.
O investimento em formação nunca termina
No sector de desenvolvimento, aprender é contínuo. Cada organização tem cultura própria; cada doador tem exigências; cada projecto tem regras e abordagens específicas. Isso significa que o “upgrade” é permanente.
Ideia-chave
Investir em formação não é um “peso no orçamento”. É um multiplicador de oportunidades: melhora desempenho, aumenta empregabilidade e prepara transições entre projectos.
Tendências: dados, Power BI e inteligência artificial
A conversa aponta competências cada vez mais valorizadas: infográficos, visualização de dados, Power BI e uso estratégico de inteligência artificial. Mas há um alerta importante:
“A inteligência artificial só funciona quando consegues usar a tua inteligência natural.”
Ou seja: IA pode ajudar, mas só quando o profissional domina o problema, entende a lógica do trabalho e sabe orientar a ferramenta. Sem base, a tecnologia vira apenas distração.
“Links” ou mérito: como funciona o sector?
O episódio desmonta um mito comum: a ideia de que só entra no sector quem tem “links”. Segundo Osvaldo, em organizações sérias o recrutamento tende a ser profissional e meritocrático. O networking existe — mas como rede profissional, reputação e colaboração, não como atalho sem competência.
Contratos por projecto e incerteza
Um ponto realista: o sector é fortemente baseado em contratos por projecto. Isso exige preparação psicológica e estratégia de carreira.
- Assumir o ciclo do projecto (tem início, meio e fim).
- Extrair o máximo de aprendizagem e experiência em cada posição.
- Criar “planos B” (consultorias, serviços, competências transferíveis).
- Dominar o mercado: tendências, perfis de vaga, requisitos e timing.
Inglês: indispensável (mas não basta falar)
A língua inglesa surge como competência transversal: documentos, doadores, parceiros e comunicação técnica. Mas o ponto essencial é este: não é só falar inglês — é dominar o inglês da área (relatórios, reuniões, conceitos, escrita técnica).
Competências essenciais (checklist)
Para jovens que querem entrar no sector de desenvolvimento, Osvaldo destaca um conjunto de competências que fazem diferença:
- ✅ Inglês aplicado à área (escrita e comunicação técnica)
- ✅ Domínio do pacote Office (Word, Excel, PowerPoint)
- ✅ Análise e interpretação de dados
- ✅ Transformar dados em informação (e resultados em narrativa)
- ✅ Escrita técnica (relatórios concisos e bem estruturados)
- ✅ Comunicação e oratória (falar com públicos diversos)
- ✅ Capacidade de entrevista e recolha de dados
- ✅ Leitura constante e cultura geral sobre temas de desenvolvimento
- ✅ Aprendizagem contínua (cursos, prática e autoformação)
Mensagem final
A grande conclusão do episódio é simples: carreira constrói-se projecto a projecto, com consistência, estudo e estratégia. Não existe caminho rápido — existe preparação.
Quer aprofundar competências?
Se pretende fortalecer capacidades em Monitoria e Avaliação (MEAL/M&A), gestão de projectos, comunicação institucional e uso de dados para decisão, acompanhe os conteúdos e formações da RMBJ Consultoria.
